Pasta/Processo BR RSTJRS RSTJRS 1G Soledade PCRIM A13713314 - Procedimento Especial – Júri – Homicídio Qualificado (Preliminar)

Código de referência

BR RSTJRS RSTJRS 1G Soledade PCRIM A13713314

Título

Procedimento Especial – Júri – Homicídio Qualificado

Data(s)

  • 2004-12-06 - 2008-07-02 (Produção)

Nível de descrição

Pasta/Processo

Dimensão e suporte

Gênero textual, 4 volumes, 844 folhas.

Fonte imediata de aquisição ou transferência

Âmbito e conteúdo

Número: 20300044118
Resumo: No ano de 2003, em Soledade, desapareceu o menino D.O.H., com 10 anos de idade. Na época, ele morava com a mãe, mas já havia morado alguns anos com os avós e também com uma tia materna. Sua mãe vivia com seu padrasto em Coxilha, indo de 15 em 15 dias até Soledade ver os filhos. Durante o inquérito se obteve informações de que o menino desaparecido, juntamente com outros três também desaparecidos, vendiam pequenas quantidades de drogas para dois traficantes locais e que quando não levavam o dinheiro ou não devolviam a droga eram espancados. Várias pessoas que foram inquiridas na delegacia deram detalhes sobre quando e como os meninos foram mortos. Embora os dois acusados negassem, várias testemunhas ligadas a eles confirmavam a mesma história de que eles haviam matado os meninos.
Assim, a delegada encerrou o inquérito e pediu a prisão preventiva dos suspeitos. No entanto, dias depois, no começo de 2004, A.S., 26 anos, foi preso no município de Maximiliano de Almeida, tentando deslocar-se para Santa Catarina, após perseguição policial. Preso, confessou a morte de 12 garotos, com indicação, inclusive, do local onde estava escondido o corpo de D.O.H., uma de suas vítimas em Soledade. A polícia, verificando o fato, encontrou o corpo enterrado nos fundos de uma casa onde o acusado havia trabalhado em uma obra. O menino havia sido morto por asfixia em um moinho abandonado localizado nas proximidades. Após deixar o corpo ali por dois dias, A.S. o cobriu com sacos e o transportou com um carrinho de mão para uma casa onde estava trabalhando uma obra. Ali, colocou o corpo em uma cova no fundo do quintal, cobrindo-o com terra e uma camada de argamassa.
Após a prisão de A.S. constatou-se que os suspeitos presos em Soledade não haviam matado nenhuma criança. A.S deu detalhes sobre a morte de 12 meninos, mas foi julgado pela morte de 9. Em laudo psiquiátrico aparecem muitos detalhes de sua vida e de sua personalidade. Sua família era natural do Paraná, tinha vários irmãos e o pai era alcoólatra. Relatou que desde criança tinha dificuldade de relacionamento, envolvendo-se constantemente em brigas e crueldades com animais. Na adolescência, passou a sentir vontade de matar pessoas. Contou que fora abusado sexualmente por um vizinho aos 12 anos e que, já adulto, um amigo seu foi abusado por um policial com um cassetete. Por isso decidiu assassinar o policial, começando a segui-lo e vigiá-lo. Quando o matou, a vítima já não era mais policial, mas motorista de táxi. Por esse crime A.S. tinha uma condenação por latrocínio no Paraná, onde cumpriu pena por 6 meses e fugiu para o Rio Grande do Sul, onde ficou um tempo vivendo de cidade em cidade, se deslocando de ônibus, morando em albergues e fazendo trabalhos em obras. Nesse período praticou furtos várias vezes e até chegou a ser abordado pela polícia, ocasiões em que apresentava o documento de seu irmão doente, sendo liberado.
Relatou com detalhes todas as mortes quando foi preso, os nomes das vítimas, como as conheceu, os locais dos crimes, os golpes de muay thai que lhes aplicava para fazê-las desmaiar e os atos de necrofilia com alguns dos cadáveres. Também relatou seus pesadelos, nos quais sempre matava meninos e a sensação de que era muito perturbado, apesar de não sentir remorso nem empatia. Disse que pensou em procurar ajuda psicológica e que facilitou a própria prisão, admitindo que se ficasse solto continuaria matando, pois era tomado por uma compulsão no momento dos crimes. Negou ser homossexual. Diagnosticado pelos psiquiatras como paciente de transtorno de personalidade antissocial, A.S. foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri em Soledade, quando foi condenado a 21 anos de reclusão. Em outros vários processos recebeu múltiplas condenações, somando uma pena total de mais de duzentos anos. Todas as suas vítimas tinham entre 8 e 13 anos de idade e viviam algum grau de vulnerabilidade social e familiar, o que facilitava a abordagem, pois exerciam atividades tais como vender rapaduras e picolés, pedir esmolas ou trabalhar como engraxate.

Avaliação, selecção e eliminação

Processo de guarda permanente por interesse histórico.

Ingressos adicionais

Sistema de organização

Condições de acesso

Condiçoes de reprodução

Idioma do material

  • português do Brasil

Script do material

Notas ao idioma e script

Características físicas e requisitos técnicos

Documento em boas condições, no geral. Alguns amassados e rasgos nas bordas.

Instrumentos de descrição

Existência e localização de originais

Existência e localização de cópias

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Nota

Contém fotografias da reconstituição do crime e componentes do auto de necropsia pós exumação.

Identificador(es) alternativo(s)

Pontos de acesso - Locais

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Identificador da instituição

Regras ou convenções utilizadas

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Nível de detalhe

Datas de criação, revisão, eliminação

Línguas e escritas

Script(s)

Fontes

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